Intensamente

“O que você viveu ninguém rouba.” Aplaudi internamente Gabriel García Márquez, autor dessa pérola, quando me deparei com ela no livro “Memórias de minhas putas tristes”.

A expressão é simples e, pensando bem, traz o óbvio. A mais pura verdade. E é fantástica! Até porque, na correria da vida louca, podemos não nos dar conta disso. O que você viveu ninguém rouba.” É inegável. Mas você já parou para pensar nessa ideia?

Se estivermos atentos a isso, vamos dar muito mais importância a experiências, ao momento presente, que a outras coisas. E nosso investimento mais valioso será nessa área. Em experiências que vivenciamos e que nos vão nos trazer felicidade, paz, realização, emoção, bem-estar. Podem ser muitas, se soubermos dar valor ao “agora” e não ficarmos esperando apenas por acontecimentos incríveis. Muitas dessas experiências nem envolvem dinheiro.

Um encontro romântico, um jantar especial, uma festa, ver os filhos crescerem, o dia do casamento, a adrenalina de descer num toboágua gigante, um passeio, as emoções proporcionadas por um espetáculo de teatro ou por aquele show com que você sonhou tanto (e pagou uma fortuna para assistir), uma noite tórrida de sexo, um encontro casual, a vibração em um estádio ao presenciar vitória do seu time, uma reunião com amigos, os momentos ao lado daqueles que amamos, um abraço que vem quando mais precisamos.

E as viagens? Ah… o prazer de viajar! De estar num lugar pela primeira vez, de descobrir novas paisagens. De se sentir renovado e ter para sempre as boas lembranças. Bem disse o Quintana que “viajar é trocar a roupa da alma”.

A lista pode ser imensa e inclui experiências que tivemos e até gostaríamos de contar para os outros tão agradável é o sentimento que elas nos trazem, mas não contamos porque o melhor é que fiquem secretas.

“Nós sempre teremos Paris!”, diz Rick ao se despedir de Ilsa nas cenas finais de Casablanca (1942), um clássico do cinema americano e mundial. Os dois haviam vivido um caso de amor em Paris e, anos depois, se reencontram em Casablanca (Marrocos). Os dois combinam fugir juntos, mas, quando estão no aeroporto, Rick muda de ideia e manda Ilsa ir embora com o marido. Numa cena que transborda sentimento, ela pergunta para ele “E nós?”. Ele responde: “Nós sempre teremos Paris”. Esta se tornou uma das mais célebres frases do cinema. Talvez sua beleza esteja em sua capacidade de traduzir perfeitamente o fato de ninguém tirar de você o que você viveu, seja o que for. Isso é realmente bonito!

Às experiências que escolhemos guardar, juntamos um pouco de fantasia, considerando que toda memória é ficcional. E, assim, o que vivemos pode ficar ainda melhor do que o vivido. E ninguém, jamais, poderá nos roubar. “E você sempre terá Paris!” Porque… o que você viveu, ninguém rouba!

Carmélia Cândida

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