Antônia Luzia

Era Antônia Luzia
Lavava, passava
Cozinhava, limpava
Acordava antes de todos
Para preparar o café
O dia todo
Corria pra lá e pra cá
Os filhos estudavam
Não podiam “ajudar”
O marido era daqueles
“Serviço de casa,
Coisa de mulher”
E ela aceitava
Tudo para ver
A família em harmonia
Depois das refeições
Todos em seus quartos
Para descansar
E Antônia Luzia
Se acabando na cozinha
Tinha que correr na padaria
Na hora de pegar pão quente
Comida fresca todo dia
Se ia se ausentar
Tinha que calcular
Tudo de que iam precisar
Mas ela dava conta
E até orgulhava-se de si
Os filhos em primeiro lugar
E já estavam na faculdade!
Foi, aos poucos, se esquecendo
Quem tinha sido um dia
Há muito já não luzia
Foi ficando só Antônia
A cada dia mais cansada
Mais estressada, mais apagada
Mas iria assim até o fim
Era boa mãe, boa esposa
E a vida seu rumo seguia
Antônia, em vida, jazia
E ninguém percebia

Carmélia Cândida
Membro da Academia de Letras de Pará de Minas
(Cadeira nº 2 – Patrono Mário Quintana)

Retrato de Lunia Czechowska

Imagem: “Retrato de Lunia Czechowska”, de Amedeo Modigliani

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