Guardados queridos

renato russo

Eu adorava Legião  Urbana. E continuo adorando.   E o que é melhor, acho que hoje me identifico ainda mais com as letras. Me tocam demais.

Lembro direitinho da primeira vez que ouvi Legião. Foi a música “Quase sem querer”.  Eu era bem novinha.  Tinha uns 13 anos. Tocou no rádio. Pensei: “Que música boa!”. Depois ouvi essa música diversas vezes, sempre no rádio (às vezes, eu ficava mudando de estação, tentando encontrá-la), e não tinha ideia de quem estava cantando.  Só bem mais tarde é que fui saber que aquela música de que eu tanto gostava era  Legião.

A banda era excelente,  uma combinação perfeita. E Renato Russo, o grande responsável pelas composições, era genial.  Ele compunha letras carregadas de significado, de sentimento, de poesia, às vezes letras de protesto, outras vezes falando de amor, solidão, dor, sonho; enfim, do existir neste mundo caótico e por vezes desumano.

O Renato foi uma daquelas pessoas que eu gostaria de  ter  conhecido de perto, de poder sentar ao lado dele e conversar  por horas e horas (mais ouvi-lo). Ou apenas ficar lado a lado com ele, em silêncio, contemplando o nada ou um entardecer.  E gostaria muito, quando ele estivesse triste, de poder abraçá-lo, olhar em seus olhos, segurar sua mão e dizer-lhe  “eu te entendo”.

E ele se foi cedo demais. Como se vão todas as pessoas que amamos, independentemente do tempo em que convivemos com elas.  E até hoje, por vezes, sinto a morte dele como se ele tivesse sido muito próximo de mim. Ele foi, embora sem saber da minha existência.

Rebelde, romântico, sensível, inteligente… ele sabia falar por muita gente. Gosto de muitas das imagens dele, em especial algumas poucas em que ele está sorrindo. Eu pego aquele sorriso como se fosse para mim e o guardo no mesmo lugar onde guardo Rubem Alves, Bartolomeu Campos de Queirós, Carlos Drummond de Andrade, Quintana, Marina Colasanti, Clarice Lispector, Adélia Prado, Cecília Meireles, Chiquinha Gonzaga e outros.

Hoje é aniversário de nascimento de Renato, e este texto surgiu, sem que eu pedisse. Procuro um trecho de uma de suas canções para finalizá-lo, uma forma clichê, eu sei. Me vêm vários, mas não acho nenhum que “se encaixe” (aceito sugestões). O que está me “batendo” é uma frase de Simone de Beauvoir “Parecia-me que a Terra não seria habitável se não houvesse alguém que eu pudesse admirar.” E ponto.

Deixo aqui duas preciosidades que não conhecia e encontrei recentemente no Youtube. Um dueto com Adriana Calcanhoto e outro com Dorival Caymmi:

 

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