Convivendo com o Alzheimer

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Imagine que você está perdendo todas as suas memórias. Imagine que você se sente confuso, que muitas vezes não sabe quem é a pessoa que está perto de você. Imagine que você não reconhece seus filhos, sua família, e se lembra de pessoas que ama, quer vê-las, mas nunca as vê (familiares que já morreram, filhos pequenos que já cresceram). Imagine que você não reconhece a sua casa. Imagine que você tenha algumas imagens em sua mente, mas não sabe diferenciar o que é passado e o que é presente. Imagine que você está se sentindo a cada dia mais fraco, debilitado. Imagine depender de outra pessoa para vesti-lo, alimentá-lo, limpá-lo… Imagine que barulho e agitação podem ser insuportáveis para você. Imagine que você está perdendo sua essência, sua identidade.

É mais ou menos por isso que um portador de Alzheimer passa. O Alzheimer é uma doença cruel e, quando chega, vem para devastar o paciente, sem dó, e também atinge profundamente aqueles que estão mais próximos do doente, cuidando, dando assistência permanente.  É comum haver, nas famílias, aqueles que seguem suas vidas normalmente, como se quase nada estivesse diferente ou mudado. Mas, quem convive efetivamente com a doença, sabe do potencial devastador  que ela tem, de como ela desgasta, exaurindo dia a dia as forças de quem está frente a frente com ela.

Que seja descoberta, o mais rápido possível, uma cura para esse mal, cuja incidência aumenta cada vez mais, ou um modo de paralisá-lo se descoberto no início. Muitas pesquisas estão em andamento (ainda bem que estão), e eu quero acreditar que será encontrada uma solução. Que a ciência nos valha!

Muito há para saber sobre o Alzheimer. Quem se depara com a doença, muitas vezes se sente perdido pela falta de conhecimento ou de informação sobre ela e frequentemente fica sem saber como lidar com a situação, que parece ser sempre nova a cada dia na rotina do doente. Até porque a doença é complexa e, apesar de haver muitos sintomas que acometem todos os pacientes, há particularidades também. Há ainda o que não se descobriu a respeito.  E cada caso será sempre um, e pode haver muita diferença de um para o outro, apesar das semelhanças.

Algumas coisas, porém, são básicas e simples. Nem por isso fáceis de serem percebidas por quem não conviveu com um doente antes. Eu, que estou na luta com a doença da minha mãe, juntamente com meu pai e minhas irmãs, há 8 anos, listo aqui algumas delas com o intuito de divulgar informações sobre o Alzheimer e pensando, principalmente, no bem-estar dos pacientes, que merecem respeito,  todo nosso amor, cuidado e atenção.

–  Visite. Os dias para qualquer doente que fica deitado o dia todo vendo tempo passar são longos e difíceis. Uma pessoa diferente que chega para conversar ajuda a distrair e a quebrar a monotonia, tanto para o doente quanto para quem está ali do lado dele. É uma forma de ajudar e é um bem que você faz ao próximo.

– Visitas, apesar de bem-vindas em grande parte dos casos, não podem ser demoradas, pois o doente se cansa facilmente. Meia hora é o suficiente. Mas, se o doente estiver tranquilo e de alguma forma participando da conversa, a visita pode se estender um pouco mais. Caso ele esteja agitado ou irritado, sonolento, se queixando de incômodos e principalmente não participando das conversas, seja breve. O bom senso é  sempre uma boa medida.

– Se ele ainda fala, procure conversar com ele, pense em assuntos sobre os quais ele tem condições de falar. É comum as pessoas chegarem, cumprimentarem o paciente e, daí em diante, passarem a conversar apenas com o cuidador, ignorando o doente completamente, como se ele  nem estivesse ali.

– Escute-o com atenção, ouça relatos “fantasiosos” como se fossem verdadeiros, sem jamais duvidar do que ele diz. Pergunte, mostre interesse, incentive-o a falar mais.

– Não mostre para ele seus esquecimentos, dizendo coisas do tipo “mas eu já cumprimentei o senhor”, “fulano estava aqui agora, já esqueceu?”.

– Não fique perguntando se ele se lembra disso ou daquilo.

– Procure falar baixo em sua presença. Barulho e agitação costumam cansar o doente.

– Jamais o ignore, não fale dele como se ele não estivesse ali ou como se ele não entendesse mais nada (em muitos casos, ele pode entender, sim). Procure incluí-lo na conversa, sempre.

–  Não deixe de fazer convites para o cônjuge/companheiro ou principal cuidador de um doente. Ele é que irá avaliar se tem condições de ir, se o doente deve ou não ir e, caso o doente não vá, o cônjuge/companheiro/cuidador poderá ir sozinho. Ele não está doente e precisa ter vida social para não adoecer também.

E, lembre-se, infelizmente, até que seja descoberta uma cura ou tratamento que paralise essa doença, todos nós estamos vulneráveis a ela. Amanhã, pode ser eu, pode ser você ou acontecer com alguém próximo de nós.  E, se isso acontecer, será a vez de sermos ajudados. Que não nos aconteça. De qualquer forma, ninguém perde em fazer o bem pelo próximo.

 

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