De coração

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Foto oficial da Academia de Letras de Pará de Minas após a posse

A escritora Martha Medeiros diz, em uma de suas crônicas, que a gente nunca sabe de nada até que chega a nossa vez, o que é a mais pura verdade. Por mais que imaginemos nossa reação diante de um acontecimento, por mais que tentemos nos preparar para um determinado momento, na hora é na hora. Só vivenciando mesmo para saber. Isso explica o “Puxa! Eu não sabia que era capaz disso!”.

Ter consciência disso me dá tranquilidade no sentido de não querer ficar me antecipando ante o que está para (ou poderá) acontecer. Para quê? Porque, como a Martha diz, a gente pode ter alguns palpites, mas, certeza, nenhuma. O bom disso, além de diminuir a ansiedade, é que, se se tratar de uma experiência boa, como não houve expectativas, fica tudo surpreendente, o que deixa a experiência melhor ainda e, caso se trate de algo ruim, o sofrimento/desconforto vai se dar somente no momento da vivência e não por antecipação.

Acho que foi por esse motivo (e também pelo desejo de surpresa) que não fiquei tentando imaginar como seria a solenidade da minha posse na Academia de Letras de Pará de Minas, juntamente com a das escritoras Conceição Cruz e Malluh Praxedes, ocorrida no Museu Histórico da cidade, no último sábado (1º de novembro). Convidei algumas pessoas, preparei meu discurso, procurei me arrumar “toda toda”, e fui.

Meu Deus! Como foi tudo tão surpreendentemente lindo! Saber que iria me emocionar, isso eu sabia, porque, me conhecendo como conheço, não teria como ser diferente. Mas não achei que iria me emocionar tanto, que seria tudo tão demais.

A emoção se deu, evidentemente, por eu estar entrando para a Academia de Letras da minha cidade, que é uma instituição respeitada, de grande importância e valor cultural, e por isso mostrar para mim mesma que a literatura que venho produzindo tem algum sentido, algum valor. Mas o que fez tudo ser maior, o que fez meu coração bater mais forte ainda, foi a chegada e o abraço de cada amigo, de cada familiar meu. Foi ter comigo no momento pessoas que são importantes na minha vida. E me senti muito feliz também por estar entre pessoas que não são tanto da minha convivência, mas que me acolhem, me tratam com carinho e gentileza. E por ver tudo preparado com cuidado e entusiasmo, de modo que nós, as novas acadêmicas, no sentíssemos especiais.

Esses sentimentos e sensações são o que de mais forte irão ficar dessa noite linda. Eles envolvem também aquelas pessoas que não puderam comparecer, mas que gostariam de tê-lo feito. Terminada a grande noite, ainda estou em transe devido aos inúmeros cumprimentos e manifestações que venho recebendo pessoalmente (comecei a receber com antecedência), por e-mail, por telefone, em mensagens, nas redes sociais. Estou surpresa! E, sim, se você é meu amigo e ainda não me cumprimentou, pode entender isso como uma indireta.

Pensando na designação de imortal como acadêmica, que tem o sentido de fazer parte de um seleto grupo que se perpetuará na memória cultural (neste caso de Pará de Minas), aceito de bom grado tal designação e, uma vez adquirida, não me abdico dela de jeito nenhum. Oxalá seja assim! Pensando nas emoções da noite da posse, volto à Martha Medeiros, quando ela diz, em outra crônica, que a única coisa que justifica nossa existência são as relações que a gente constrói, e o que nos imortaliza – de verdade – é a memória de quem amou a gente. Assim, seremos todos imortais! Pelo menos, enquanto os que nos amaram viverem.

Agradeço à Academia de Letras de Pará de Minas, ao mesmo tempo que a parabenizo pela organização da solenidade. À Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria de Cultura e Comunicação Institucional/Museu Histórico, parceira na realização do evento. À Clara Mendes, pelo belo registro fotográfico. Agradeço a todos que estiveram na cerimônia, fisicamente ou de coração, aos que enviaram seus cumprimentos e felicitações. E aos que acenderam em mim a chama da literatura, aos que a sopraram e contribuíram para que ficasse viva: meus pais, a tia Ção, professores e todas as pessoas que me inspiram e ou que me leem, me incentivando a continuar.

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